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Professor João Leite debate Inteligência Artificial, criatividade e aprendizagem no ciclo “Arte Contemporânea em Diálogo”

01-08-2026

No passado dia 18 de junho, João Leite, docente do Departamento de Informática e investigador do NOVA LINCS, participou na sétima sessão do ciclo “Arte Contemporânea em Diálogo” da Sociedade Nacional das Belas-Artes, numa conversa com Isabel Nogueira intitulada “O que é a inteligência artificial e como chegámos aqui?”.

Partindo precisamente da dificuldade em definir o que entendemos por inteligência — e, consequentemente, por Inteligência Artificial —, a conversa percorreu diferentes dimensões científicas, tecnológicas e filosóficas da área, procurando explicar de forma acessível como funcionam os atuais sistemas de IA e que questões colocam à sociedade.

João Leite abordou, entre outros temas, o funcionamento dos atuais modelos de linguagem e a forma como estes aprendem padrões a partir de grandes quantidades de dados, chamando a atenção para a diferença entre produzirem resultados que nos parecem inteligentes e compreendermos efetivamente os mecanismos que levam a esses resultados.

A relação entre Inteligência Artificial, criatividade e arte ocupou uma parte importante da conversa. A possibilidade de uma máquina produzir uma imagem, um texto ou uma composição inédita levou à discussão sobre o significado de criatividade, sobre o papel da intenção e sobre até que ponto a intervenção humana é necessária para que possamos falar de criação artística.

A conversa incidiu também sobre desenvolvimentos recentes, nomeadamente a evolução de sistemas que se limitavam essencialmente a gerar texto para sistemas capazes de recorrer a ferramentas externas e de agir sobre o mundo. Esta crescente autonomia dos chamados agentes de IA levanta novas questões sobre controlo, alinhamento dos seus objetivos com os objetivos humanos e as consequências de uma eventual dependência crescente destes sistemas.

Um dos temas que João Leite destacou como particularmente preocupante foi o impacto da utilização da IA nos processos de aprendizagem. Embora estas ferramentas possam aumentar significativamente a produtividade e apoiar a criatividade de quem já possui conhecimento consolidado, a sua utilização durante a aprendizagem pode criar atalhos que eliminam precisamente o esforço necessário para adquirir e interiorizar conhecimento e desenvolver capacidades cognitivas.

A sessão terminou com uma reflexão mais ampla sobre aquilo que a Inteligência Artificial nos obriga a questionar acerca de nós próprios: o significado de inteligência, criatividade e conhecimento e, em última análise, aquilo que distingue o ser humano das máquinas.

A conversa completa pode ser vista no YouTube.

Mais informação sobre a iniciativa na página da Sociedade Nacional de Belas-Artes.